segunda-feira, 15 de abril de 2013

A polêmica dos cães.


Caros amigos, seguidores e leitores, hoje vou expor minha opinião sobre este problema que está virando quase uma lenda urbana.

Pessoas andam criando polêmica com a questão dos “diversos” ou das “dezenas” de cães “envenenados” pela cidade. Coloquei estas palavras entre aspas porque, na verdade, não existe nada, absolutamente nada, de concreto sobre esta “matança” de cães pelo município.

No inquérito policial que investiga o caso, constam alguns boletins de ocorrência onde poucas pessoas, cerca de quatro, declaram ter visto “dezenas” de cães mortos pela cidade. Alguns dos boletins chegam a ser hilários, pois neles, sem existir qualquer confirmação das causas das mortes, pessoas agem como especialistas e afirmam que os cães foram envenenados. Num deles, um policial afirma que encontrou um cão com “sinais claros de envenenamento”. Com todo respeito, desde quando ele é habilitado para fazer este diagnóstico?

Alguns chegam às raias da irresponsabilidade, quando do alto de cargos públicos afirmam sem dúvidas que os cães estão sendo mortos.  Até sexta-feira passada não existia nenhuma prova material disso. Nada mesmo. O que existe são alguns pães que foram encaminhados à perícia em Belo Horizonte contendo um material rosa avermelhado desconhecido, a declaração do Secretário de Obras de que foi acionado para dar destinação em cerca de oito animais mortos e as declarações lavradas em boletins de ocorrência de que “dezenas” de cães foram mortos. E só.

Especialistas da UFJF, consultados informalmente pela Polícia Civil, disseram que nunca viram nenhum veneno com aquela consistência. Disseram também que um veneno que mata tão rápido quanto dizem, cerca de vinte minutos, teria alto potencial tóxico, sendo um risco até mesmo para quem o manuseia e deveria ser difícil de encontrar e caro para comprar.

Dois veterinários consultados disseram que não atenderam nenhum animal que eles pudessem afirmar terem sido vítimas de envenenamento. Aliás, um deles disse ainda que atendeu diversos animais com sintomas de cinomose e que estes sintomas podem ser confundidos com os de envenenamento.

O mais interessante disso tudo é ver pessoas querendo culpar ou responsabilizar o município pelo ocorrido, se é que algo está ocorrendo. Se está, cabe à polícia investigar e apurar, ao Ministério Público denunciar e à Justiça condenar, se for o caso.

Espero ver tudo esclarecido e, sinceramente, gostaria de ver o mesmo empenho de algumas autoridades quanto à nova onda de violência que estamos vivendo. Já solicitei na Câmara que a Comissão de Direitos Humanos interceda novamente junto ao Governo do Estado para tentar minimizar a situação caótica das polícias Militar e Civil em nossa Comarca. No início do ano passado passamos por situação delicada e agora pudemos presenciar neste final de semana dois assaltos à mão armada e um furto a prédio público.

Hoje existe uma gama enorme de pessoas envolvidas no caso dos cães. Fizeram uma reunião com a presença do Juiz, da Promotora, do Delegado, do Comandante da PM, da Presidente da Câmara, de investigadores de polícia, de representante da Prefeitura, de vários órgãos de imprensa e de outros convidados. Não me lembro de ter visto mobilização parecida no início do ano passado, quando tivemos cerca de seis homicídios em quatro ou cinco meses e diversos casos de invasão de residências, isso sem contar o número de suicídios.

Novamente estamos vivenciando um período de insegurança e eu espero a mesma atitude das autoridades responsáveis pela Segurança Pública. Nada contra reuniões para discutir o caso dos cães que, materialmente falando, inexiste. Os assaltos são fato indiscutível, que colocam em cheque a segurança de cidadãos e empresários da nossa cidade. Gostaria de ver, portanto, a mesma preocupação e empenho que as autoridades têm dispensado ao caso dos cães, com a realidade dos assaltos e furtos.