quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Como agir?



Caros amigos, seguidores e leitores. Venho me fazendo esta pergunta e não consigo chegar numa conclusão.

Refiro-me à repercussão do grupo criado por mim no facebook “Olho no trânsito”, dadas algumas discussões infindáveis na rede social, fico com uma tremenda dúvida sobre a forma de encarar o espaço. A “revolta” incontida de algumas pessoas com o grupo e comigo em particular, além das opiniões de alguns amigos sobre esta questão me deixam pensativo.

Ao criar o grupo escrevi um texto inicial, dizendo que a intenção seria a de demonstrar o descaso de alguns motoristas com as leis de trânsito e, sabendo das dificuldades da Polícia Militar em fazer cumprir estas leis, tentar de alguma forma conscientizar estes “mautoristas” sobre educação e respeito às leis de trânsito.

Muitas das discussões ali travadas foram sadias e esclarecedoras, outras nem tanto. Pessoas pilhadas em flagrante desrespeito às leis se sentiram “ofendidas” e reagiram com certa fúria. Até a Polícia Militar andou atuando com mais vigor e alguns PM’s chegaram a me culpar pela ação fiscalizadora mais dura.

Quero deixar claro para todos que a intenção é a melhor possível. Criei o espaço para que pudéssemos dar uns puxões de orelhas, uns nos outros. Esperava que as pessoas reagissem com serenidade. Eu mesmo, que não sou santo, procuro andar dentro do que determina a lei. Mas, caso fosse flagrado cometendo um deslize e tivesse uma foto de meu veículo postada no grupo, já sabia de antemão como reagiria. Iria pedir desculpas pelo erro e prometer que tentaria não mais repeti-lo.

Recentemente alguns amigos me fizeram a recomendação de abandonar o grupo, de deixar de discutir as questões lá colocadas. Alguns até mesmo me fazendo a pergunta: “O que é que você ganha com isso?” E esta pergunta que me trouxe a esta reflexão.

Vejo outros vereadores da cidade se esquivando de qualquer tipo de discussão polêmica. Não agindo, não cobrando, não interagindo e nem mesmo se manifestando sobre alguns temas. Aí me faço outras perguntas: “Será esta a postura correta? Será isso que esperam as pessoas que confiaram em mim seus votos?”

Não que a questão do trânsito seja fundamental para um mandato. Não, não é. Mas é uma questão que aflige as pessoas e que demonstra o grau de pouca preocupação com o próximo. Pessoas fazem e agem da forma que querem no trânsito, sem se preocupar se estão atrapalhando os outros ou até mesmo colocando a vida de alguém em risco.

Sei que muitos apoiaram a ideia, mas sei também que muitos se sentiram “ofendidos” de alguma forma, bem como outros se sentiram pressionados ou acuados. Volto a falar, não era esta a intenção. A intenção era a de demonstrar que seu direito termina onde começa o do outro. Temos que respeitar o direito de ir e vir de todos.

Não podemos nos omitir quando um cidadão para seu veículo em cima da calçada obrigando pessoas, crianças, idosos, mães com carrinhos de bebês, a passarem pelo meio da rua. Não podemos nos calar quando alguém estaciona o seu veículo num ponto de ônibus, obrigando o mesmo a parar para embarque e desembarque de passageiros no meio da rua. Não podemos achar normal uma pessoa parar seu carro no meio da rua para bater papo, enquanto outros aguardam sua boa vontade de tirar o veículo do meio do caminho.

Acho que este trabalho de conscientização deveria ser feito por todos. Mas, ao contrário, os poucos que se dispõem a fazê-lo ainda são tachados de errados, de vagabundos, de desocupados, de implicantes, etc, etc, etc...

Estamos numa sociedade onde reza a lei do silêncio. Muitos são inconformados com muitas coisas, mas os poucos que se manifestam são destratados como se eles estivessem errados. Em nome de uma convivência de falsa moralidade, a maioria se cala diante da ignorância.