quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Forno foi aceso, mas pizza tem que aguardar.


Caros amigos, seguidores e leitores, uma manobra foi realizada pela Presidência da Câmara, para tentar impedir a continuidade dos trabalhos da Comissão de Inquérito que investiga os erros cometidos na construção da creche municipal.

A Comissão iniciou seus trabalhos há cerca de 120 dias e, neste período, ouviu testemunhos do empreiteiro responsável pela obra e de trabalhadores que lá atuaram. Diversas contradições e relatos de manobras irresponsáveis nos foram feitos, levantando gravíssimas suspeitas de irregularidades.

Diante disso, decidimos pedir uma perícia técnica que pudesse apontar todos os erros cometidos na construção da creche, tanto técnicos, quanto éticos, fossem eles quais fossem.

De lá para cá a Presidência da Câmara, ocupada pelo Vereador Ailton Mendes (PSDB), tem se desdobrado para inviabilizar a continuidade dos trabalhos. Inicialmente alegou não ter dotação orçamentária para pagar a perícia. Problema fácil de resolver, bastando solicitar a aprovação do plenário para suplementar a dotação. Depois alegou não ter dinheiro, outro problema fácil de resolver. Por sugestão do Vereador Rafael Aquino (PMDB), bastaria cancelar a realização das sessões solenes e aplicar os recursos na contratação da perícia. Aí veio a mais absurda das desculpas. Alegou a Presidência que a perícia deveria ser realizada pela Prefeitura ou até mesmo pela Caixa Econômica Federal (???). Ora, estamos investigando uma lambança realizada numa obra que pode implicar em sanções ao Município, ou seja, o Município pode vir a ser réu num futuro processo. E o Presidente da Câmara quer que nós esperemos que ele produza provas contra si. Piada, não é não? Pior ainda, dizer que a Caixa Federal é que deveria realizar a perícia. O que a Caixa tem com isso?

Depois disso, alegou que haveria um seguro realizado junto à Caixa Econômica Federal e que a Prefeitura deveria registrar o sinistro para a realização dos reparos, seguro este desconhecido tanto pela direção da Caixa quanto pela própria Prefeitura. Por fim, e a pior das alegações no meu entendimento, alegou que não seria função da Câmara investigar os fatos. Ora, por favor! Qualquer esfera do Poder Legislativo, seja municipal, estadual ou federal, tem entre suas atribuições a premissa de investigar todo e qualquer ato do Poder Executivo, através da criação de comissões de inquérito, as CPI’s.

Na última semana, depois das várias tentativas de matar a investigação, veio a manobra citada no início do texto. Após pedido de prorrogação do prazo para conclusão dos trabalhos, feito no dia 19 de agosto, terça-feira, a Presidência deixou para dizer que negava o pedido na sexta-feira às 17:30 hs, dia 22, ou seja, aos 49 minutos do segundo tempo. Neste momento não era possível nem mesmo recorrer ao plenário para discutir a questão. Ali, naquela sexta-feira, a comissão se encerrava por decurso de prazo.

Na segunda-feira, dia 25, o Vereador Nilo (PTB) apresentou requerimento pedindo a reabertura da comissão, cuja votação surpreendeu. Três vereadores se manifestaram contrários às investigações: Júlio Sales (PMDB), Sônia Matos (PSDB) e Beth (PSDB), além da manifesta contrariedade do Presidente da Câmara com a reabertura.

Algumas perguntas ficam no ar. A quem interessa que a CPI termine em pizza? Qual o receio destes vereadores em relação à investigação? Quais interesses eles querem proteger? O que eles pensam sobre o mal uso de 1 milhão e 200 mil reais gastos na creche?

Se tivéssemos uma imprensa mais atuante, com certeza alguém iria até eles fazer estes questionamentos. De qualquer forma o forno continua aceso, mas a pizza ainda tem que aguardar um pouco.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Exposição Agropecuária ???


Caros amigos, seguidores e leitores. Hoje vou expor minha opinião a respeito de nossa Exposição Agropecuária e Industrial, que há muito necessita, no meu ponto de vista, ser reavaliada e rediscutida com a sociedade.

Para mim a festividade perdeu o foco. Deixou de ser um instrumento para fomentar a atividade agropecuária e industrial, como o próprio nome traduz, para ser um mero espaço para realização de shows e um meio de escoamento de recursos da nossa cidade.

Ainda não tenho os dados oficiais do evento, porém, arrisco-me a dizer que algo em torno de R$ 500.000,00 foram gastos para a realização da Expo 2014. Isso mesmo, cerca de meio milhão de reais. A pergunta que fica diante destes números é: será que compensa? Creio que não.

Esta discussão não é nova, ocorre desde os últimos anos do mandato anterior e todo ano volta à baila. O modelo atual foi lançado em 2001 e, à época, mostrou-se uma decisão ousada e controversa, que rendeu muita polêmica, no entanto firmou-se como o modelo padrão até hoje. Faltaram coragem e ousadia dos gestores que se sucederam para rediscuti-lo e repensá-lo, voltando os olhos para o objetivo principal do evento.

Num Município onde o orçamento anual gira na casa dos R$ 27 milhões, gastar meio milhão somente num evento é um despropósito. Gosto muito de comparar a exposição com um evento lançado nesta gestão, o Bicas Liquida. Comparemos o custo benefício dos dois eventos. No primeiro a Prefeitura investe uma fortuna, realiza uma festa de 9 dias e os recursos se vão para fora da cidade. Diria que dos 500 mil reais investidos pela Prefeitura, 90% se vão para os bolsos de empresários de fora da cidade. Isso sem contar que dos barraqueiros lá instalados, cerca de 40% são de “estrangeiros”, ou seja, muito do dinheiro trazido para a cidade pelos visitantes sai pela mesma porta que entrou. Em contrapartida, se analisarmos o Bicas Liquida, a Prefeitura gastou neste ano cerca de R$ 25.000,00. Todos os shows foram de artistas locais, os stands comercializados em parceria com a ACE (Associação Comercial) são para lojistas de Bicas e os barraqueiros também são da cidade, ou seja, todo o recurso investido pelo Município fica aqui e o que vem de fora também.

Lógico que, por enquanto, é difícil comparar os dois eventos em relação à visibilidade, porém, o Bicas Liquida tem crescido e tende a crescer ainda mais. Como disse, é difícil comparar, mas temos que rever a lógica da exposição para que ela se torne um evento que traga recursos para a cidade e não o contrário como vemos hoje.

Tenho a fórmula para esta mudança? Não, não tenho. Por isso acho que agora, já, é o momento da administração convocar os diversos entes que direta ou indiretamente participam do evento para repensar o modelo. ACE, Sindicato dos Produtores Rurais, representantes dos donos de bares e restaurantes, expositores e órgãos públicos. Discutir uma mudança responsável que garanta não só a realização do evento, mas também o retorno do investimento para a cidade.

Que tal se a Exposição ocorresse de quarta a domingo? Que tal se todos os shows fossem regionais e gratuitos, exceto um show de porte médio a ser realizado, por exemplo, na sexta-feira, também gratuito? Que tal se tivéssemos um parque de diversões de ponta, cobrando ingressos populares durante o dia ou até mesmo não cobrando até as 18 horas, para levarmos as famílias de volta à exposição? Que tal a manutenção do rodeio de quarta a sexta-feira cobrando entrada barata para ajudar a custear o mesmo? Que tal liberar os barraqueiros para comercializar quaisquer marcas de refrigerantes e cervejas, priorizando os comerciantes da cidade na ocupação dos espaços dentro do parque?

Estas são apenas algumas questões que acho que devem ser discutidas. O que não pode mais é ficar como está.