terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Indignação seletiva.

Caros amigos, seguidores, leitores e companheiros. Ainda não sei a conotação que darei a este texto. Se só ironizo ou trato com seriedade o tema. Quero discorrer sobre a maneira que as pessoas “escolhem” como, com quê e/ou contra quem se indignar.
Passeando pelo Facebook, não sei se acho engraçada ou trágica a forma que as pessoas (poucas, diga-se de passagem) se portam diante dos fatos políticos hoje. Mostram-se indignadas com, segundo algumas delas, o “assalto” promovido à Petrobrás pelo PT, ou pela Dilma, ou pela Graça Foster, cada qual escolhe seu alvo predileto, mas não vejo ninguém vociferar contra as empreiteiras, seus donos e nem contra os funcionários diretamente envolvidos. E isso é hoje, até o Ministério Público “resolver” contra quem virará seus canhões no núcleo político, aí outros alvos preferenciais entrarão em cena.
Sabe o que penso disso tudo? Que o maior problema do Brasil é a HIPOCRISIA. Apesar de discordar de algumas colocações pontuais, o texto do Sr. Ricardo Semler (tucano de alta plumagem) sobre o tema, publicado pelo jornal Folha de São Paulo em 21/11/2014, é um pequeno esboço da realidade atual.
Pessoas que declararam voto em Aécio Neves se indignam seletivamente contra a Presidente democraticamente eleita, porém não se indignam por ele ter sido eleito o pior senador do Brasil em 2014 (nota zero), por ter construído um aeroporto na fazenda de um tio e entregado as chaves ao mesmo, por ter sido flagrado com a carteira de habilitação vencida e se recusado a fazer um teste de bafômetro numa blitz no Rio de Janeiro, por morar no Rio de Janeiro e ser senador por Minas Gerais, por ser um dos senadores mais faltosos do Congresso Nacional, etc, etc, etc...
Vem agora uma indignação súbita, pelas alterações propostas através de Medida Provisória pelo Governo Federal, para ajustes nas contas da Previdência Social. Ora, os eleitores do senador Aéreo Never deveriam estar muito felizes, afinal o governo vai tomar medidas impopulares necessárias, tal qual apregoava o senador nota zero. Eu, apesar de não dominar o tema, creio que as alterações são boas. Apesar de alguns dizerem que o governo tirará direitos dos trabalhadores, não encaro desta forma, mas esta discussão é para outro texto, pois é muito longa e complexa.
Voltando ao texto do Ricardo Semler, lá ele narra com a mais absoluta clareza práticas adotadas no país há décadas, quiçá séculos. Ou realmente alguém, na plenitude de sua sanidade mental, acredita que a corrupção na Petrobrás foi inventada em 2003 pelo Lula. Por Deus, isso não pode ser burrice, só pode ser HIPOCRISIA.
Porque estas pessoas não se indignam contra o Mensalão Tucano que irá prescrever em breve? Porque não se indignam com a não investigação dos inúmeros escândalos engavetados na era FHC? Porque não se indignam com a não investigação da Privataria Tucana? Querem temas atuais? Porque ninguém fala nada sobre o Trensalão tucano em São Paulo? Por HI-PO-CRI-SI-A.
Eu, para finalizar, digo o seguinte. Que investiguem tudo e todos, não sejamos seletivos na hora de fazer este trabalho. Que a PF e o MP se comportem republicanamente, tal como o Governo Federal vem se comportando e, por favor, companheiros brasileiros deixem a HIPOCRISIA de lado.

Feliz Ano Novo a todos!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Campanha para o hospital é ótima, mas não resolve.

Caros amigos, seguidores, leitores e companheiros. Vou tratar hoje de um problema antigo, o Hospital São José de Bicas (HSJ).

Inicialmente é preciso entender que o hospital é uma entidade privada, portanto não é dirigida pela Prefeitura ou pelo Estado. Quem manda lá é a Associação de Caridade São José, entidade ligada à Igreja Católica, e que possui uma Mesa Diretora e um conselho deliberativo.

São dois os principais problemas do HSJ, gestão e dinheiro. Hoje o déficit mensal gira em torno de R$ 40 mil e existem somente dois caminhos para resolver a questão: aumentar receita e/ou reduzir despesas. Não existem outras opções.

Mas o tempo passa e vemos poucas atitudes, sejam elas administrativas ou deliberativas, na direção de solucionar os problemas. Quem culpa o Prefeito pelos problemas em parte tem razão, mas o problema maior não está aí e sim na direção do hospital. Prefeitura e hospital assinam um contrato para que o serviço de urgência e emergência seja prestado lá. O HSJ não é obrigado a prestar este serviço, portanto, se o dinheiro é pouco, não assine o contrato, simples assim. Fui conselheiro lá por cinco anos e falo isso há muito tempo. Não mudei meu pensamento porque o Prefeito é outro. Se tem alguém que pode dizer não, este é o HSJ.

 Mas são várias nuances a serem analisadas. Porque eu digo que a campanha que esta sendo realizada é ótima, mas não resolve? É ótima porque envolveu mais a comunidade com o problema, além de gerar receitas extras para o HSJ. E não resolve porque ela não vai gerar uma receita fixa suficiente para cobrir as despesas, só isso.

Ouvi na semana passada de três pessoas diferentes em lugares distintos que tinha “gente ganhando muito” dentro da administração do HSJ. Duas destas pessoas chegaram até a citar nomes. O salário destas pessoas citadas não somam R$ 10 mil. Um destes interlocutores chegou a sugerir que “se o HSJ está precisando de ajuda, estas pessoas deveriam abrir mão do salário”. Ora, espere um pouco, nenhum profissional trabalha de graça. A responsabilidade destas pessoas é enorme com a instituição, diferente das pessoas que estão na comissão de eventos, que podem ou não trabalhar este ou aquele dia, afinal são voluntários e estão ali para ajudar.

Fica aqui uma sugestão para os colaboradores do HSJ, já que vocês arregaçaram as mangas e estão pedindo ajuda para todos. Façam uma reunião com os profissionais médicos da cidade e região. Temos cerca de 40 médicos morando na Comarca, entre Bicas, Guarará, Maripá e Pequeri. Se cada um se comprometer a fazer 2 plantões (12 horas) por mês a R$ 500,00, ou seja, recebendo R$ 1.000,00 por 24 horas dedicadas ao hospital, 90% do problema estará resolvido. Desde que, logicamente, a Prefeitura mantenha o repasse atual de R$ 62 mil/mês.

Finalizando gostaria de parabenizar todas as pessoas que se envolveram com o “problema” HSJ. Até o discurso de alguns mudou depois de conhecer a realidade por dentro. Muito bacana esta interação em favor do hospital. Que não pare a campanha, mas que a administração do hospital pense em soluções permanentes.