terça-feira, 28 de junho de 2016

A indignação seletiva e territorialista.

Caros amigos, seguidores e leitores, este ano, como todo mundo sabe, é eleitoral. Ano atípico, portanto. Vamos então refletir sobre isso, considerando obviamente o “acordar” do “gigante adormecido”.

Nos últimos anos vimos surgir das redes sociais movimentos fortes pela moralidade no poder público. Eu participei de debates acalorados no Facebook, discutindo a visão seletiva de alguns com relação ao tema. Quando se trata de Lula, Dilma ou qualquer outra liderança ligada ao PT, alguns visivelmente transpiram ódio. Em contrapartida, com relação a denúncias que envolvem Aécio, Anastasia, Serra, Cunha, Renan, Jucá, entre outros, o silêncio reina absoluto.

E o que dizer das notícias que envolvem administrações e lideranças municipais? Silêncio ainda mais ensurdecedor. Porquê será? Em minha avaliação por um motivo bem simples. Porque aqui as coisas ficam mais próximas, mais íntimas. Envolvem amizades, relações sociais, parentesco e, obviamente, interesses políticos e particulares.

Nem mesmo nas pessoas que tiveram acesso a provas de transgressões óbvias, como no caso da CPI que investigou a “lambança” na obra da creche municipal ou aos desvios da Educação em 2005 e 2006, não vemos nenhuma sombra de indignação, pelo contrário, observamos sim uma preocupação tremenda em “proteger” os possíveis transgressores.

E os internautas indignados? Onde estão? Por onde andam? Porque se calam quando lêem que foram feitas compras e mais compras com recursos da Educação durante o mandato do ex-prefeito Honório de Oliveira altamente suspeitas?  Porque se calam quando lêem que servidores públicos eram utilizados para prestar serviços em propriedades particulares? Porque se calam quando ficam sabendo que servidores eram contratados pela Educação para pintar ruas, lavar carros ou trabalhar na rodoviária? Porque se calam quando se constata que contratações eram feitas de forma direcionada, sem nenhum tipo de seleção ou licitação?

E a indignação com sonegadores de impostos? Pessoas que sequer podem ter seus bens registrados em seus nomes, senão o fisco pega. Como podemos admitir uma pessoa derramar cheques sem fundo pela cidade e ninguém, absolutamente ninguém, se revoltar seriamente com isso? Como aceitar que qualquer pessoa pleiteie o comando da nossa cidade sem que esta sequer aqui resida?

Gostaria muito de ver estes indignados atuantes no pleito eleitoral municipal deste ano. Gostaria de vê-los analisando realmente os candidatos e expondo sobre eles com a mesma fúria que fizeram e fazem neste momento político delicado pelo qual o Brasil passa. Gostaria muito de vê-los críticos, ácidos e implacáveis, da mesma forma que o fazem com as lideranças que estão “longe”.

Creio que isso não acontecerá, sabem por quê? Porque aqui mais pertinho a coisa muda de figura. Aqui parece que pode tudo. Mas como já dizia uma companheira antiga, “na política vale quase tudo, mas não pode valer tudo”.


Acorde “gigante”, acorde pra vida.

terça-feira, 21 de junho de 2016

CPI começa a confirmar denúncias.

Caros amigos, seguidores e leitores, depois do pito do Ministério Público (MP) e a abertura da Comissão Especial de Inquérito, os trabalhos se iniciaram tendo como Presidente o Vereador Rafael Aquino e como Relatora a Vereadora Beth, além deste que vos escreve.

Milagrosamente, todos os vereadores que antes alegavam não poder participar da CPI, ao serem novamente questionados se participariam, desta vez se prontificaram imediatamente, exceto o Vereador Ailton Mendes, diga-se de passagem no que fez bem, afinal tem um certo grau de parentesco com o ex-prefeito.

Pois bem, iniciados os trabalhos, começamos a convocar as diversas testemunhas por mim indicadas, pois, estranhamente, a relatora do processo não havia indicado nenhuma testemunha para ser interrogada.

Até este momento foram ouvidas nove testemunhas, todas ex-servidoras contratadas pelo Município, e todas, sem exceção, confirmaram as suspeitas de contratações irregulares. Nenhuma delas passou por credenciamento, seleção simplificada ou licitação para ingressar no serviço público ou contratar com a Prefeitura. Creio que ainda devemos ouvir pelo menos mais dez testemunhas para confirmar esta prática ilícita.

Outro fato que vem sendo apurado é o desvio de função destes mesmos servidores. Até este momento cinco deles confirmaram ter trabalhado em outras áreas que não a Educação, para a qual foram contratados. Dois destes disseram inclusive, que jamais colocaram os pés nas escolas para as quais teriam sido contratados. Fizeram de tudo, menos o que diz no histórico dos empenhos de pagamentos realizados aos mesmos.

Ainda existem muitas coisas a serem apuradas, porém, logo de início, tem-se a nítida impressão que as denúncias apresentadas e que embasaram a aprovação dos requerimentos pedindo a abertura das investigações, serão confirmadas sem muitas dificuldades.

Outro detalhe importante a ressaltar é que, pelo menos até este momento, não foram localizados os contratos que lastrearam as contratações de mais de cem pessoas pela Educação entre 2005 e 2006, ou seja, não existe nenhum instrumento que dê luz sobre como funcionavam os serviços contratados.


Este é um pequeno resumo até o momento. Os trabalhos estão lentos, já que a comissão decidiu se reunir apenas uma vez por semana. Vou sugerir mais uma vez aos membros que aceleremos o processo, mas acredito que serei voto vencido. E vocês? O que acham?